- Me Falta Um Pedaço Teu -


SAUDADES

                                    Álvares de Azevedo

 

Foi por ti que num sonho de ventura
A flor da mocidade consumi...
E às primaveras disse adeus tão cedo
E na idade do amor envelheci!

 

Vinte anos! derramei-os gota a gota
Num abismo de dor e esquecimento...
De fogosas visões nutri meu peito...
Vinte anos!... sem viver um só momento!

 

(...)

 

Foi esse o amor primeiro! requeimou-me
As artérias febris de juventude,
Acordou-me dos sonhos da existência
Na harmonia primeira do alaúde.

 

(...)

 

E por três noites padeci três anos,
Na vida cheia de saudade infinda...
Três anos de esperança e de martírio...
Três anos de sofrer — e espero ainda!

 

A ti se ergueram meus doridos versos,
Reflexos sem calor de um sol intenso,
Votei-os à imagem dos amores
Pra velá-la nos sonhos como incenso

 

Eu sonhei tanto amor, tantas venturas,
Tantas noites de febre e d'esperança...
Mas hoje o coração parado e frio,
Do meu peito no túmulo descansa.

 

(...)

 

VII
Eu vaguei pela vida sem conforto,
Esperei o meu anjo noite e dia
E o ideal não veio...

VIII
Passei como Don Juan entre as donzelas,
Suspirei as canções mais doloridas
E ninguém me escutou...!
Oh! nunca à virgem flor das faces belas
Sorvi o mel nas longas despedidas...
Meu Deus! ninguém me amou!

(...)

                                  (Poesia 12 de Setembro- Álvares de Azevedo)

PS.: Fiquei algum tempo sem atualizar o blog, muita correria, fim de ano, férias. Mas estou de volta, gostaria de estar voltando com grandes sonhos realizados, com aquele mais desejado. Escolhi algumas estrofes das poesias: “Saudades e 12 de Setembro” de Alvares de Azevedo por expressar tão bem, os voluptuosos cânticos de amor do livro “A Lira dos Vinte Anos”. E eu vivi alguns amores arrebatadores antes mesmo dos meus 20 e continuando já no final dos meus 26. Ao ler as poesias de Alvares vejo que os amores daquela época não foram tão diferentes dos meus. E foi, a um Amor que declarei e fiz minha sentença marcada. Ele que cujos versos escrevi dia após dia na minha mocidade toda. A ele um livro inteiro dedicado, desde a primeira vez que nos encontramos. Ali foi que começou tudo, foi nessa idade do Amor, que envelheci meu Deus! Foi muitas esperas e incertezas trazidas por ele. E por alguns anos padeci, anos de esperança e martírio. Ele  foi o único em tudo. O único que não beijei, o único que me fez chorar noites a fora, a cada resposta negativa, a cada silêncio interminável, a cada carta enviada. E a dor de saber que a mesma que fora escrita com tanto devodamento, rasgada pelas mesmas mãos que um dia eu esperei, desejei afagar as minhas, e delinear todo meu corpo docemente. O único que com seu orgulho e desdém machucava meu ser intensamente. O único que feria minha alma a cada novo romance. O único que desconversava tudo descaradamente! O único que fazia meu coração palpitar em batimentos graves e estrondosos. O único que trazia consigo involuntariamente o sabor da mesma esperança a cada fim de romance. Ele foi o único que me fez rir com intenso prazer, o único que me fazia sentir plena de mim, o único que me fez sonhar e o mesmo que sem piedade me arrancou do sonho. Era o único que me deixava amando literalmente. Mas ele foi implacável em sua resposta, foi ele o Amor-amado que com frieza me disse: NÃO!Triste



Escrito por Fé às 18h39
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