Ando permeada de desejos, delicadezas, de tanta vontade de me doar por inteiro ... Mas, também de incertezas e minha alma vai sendo bordada, talho a talho. Vai sendo despida. Sinto-me nua.
E em inúmeros momentos meu coração é saqueado. Bordando nos olhos da menina que tecela os retalhos, os linhos, as sedas das minhas inseguranças. E realmente, ando a deriva por aí... Ando solta, dispersa como folha que o vento sopra; e seu sopro me machuca tanto, tanto... Pois caio em jardins tão espinhosos, meu Deus! Aquele mesmo vento, o trouxe a mim, o leva de mim... É uma brisa leve, mas ruivante!
Mesmo que não me digam palavras nenhuma, eu pressinto. O mundo e as pessoas têm emulado me entristecido demais. Deixando meu quarto escuro, meu coração ferido e cheio de incertezas.
Tantas incertezas, que já caiu por terra tudo que sonhei... Ninguém leva a sério mais nada, há um vulcão de falsidades, mentiras, traições todos em erupção, destruindo tudo... E tudo que sonhei está unida a uma pessoa depois de tanta luta. Tantas palavras, tantas cartas, tantos gestos, tantos poemas dedicados... Vem-me um filme na memória. Vêm-me as lutas dos anos de 1998, das cartas, dos versos, das conversas, das minhas atitudes, das lágrimas que derramei, da certeza fiel que depois de um tempo tudo se acertaria. Mas foi em vão. Passou-se 10 anos, mesmo que meu sentimento tenha se calado em mim e minhas atitudes ausentes, esse desejo estava vivo, latente.
O destino foi cruel, tanto eu fiz tantas lágrimas, tanto amor eu ofereci e foi em vão. Nada vingou.
E o medo da solidão vem se tornando cada vez mais intensa. Decerto tudo aquilo que esperei que com tempo viesse a brotar, desde as inúmeras sementes que semeei naquele terreno árido, esquivo, cheio da púbere e vendo-o crescer a cada ano e ela ir se acabando. Dando espaço a juventude, que hoje estamos os dois, vivendo cada um com uma história... Nada vingou, nenhuma rosa floriu. Nenhuma atitude minha foi capaz de mudar, nenhum gesto meu foi o suficiente, nem todo o amor oferecido foi tamanho pra convencê-lo. Nesses 10 anos que se passaram, me parece escapar das mãos, sendo levados nesse vento Baluante. Foi tudo ilusão. Talvez porque quem ama, espera. Vejo que não tem jeito mais. Essa brisa baluante o afastou de mim. E talvez, nunca mais nos veremos. Talvez esse silêncio que se fez em nós, nesses três
últimos anos, dilacere mais e mais meu amor. Esperei-o muito, não sei se tenho mais forças para continuar.
Se os ventos e as brisas que me beijam a face fossem mais calmas, mais amorosas. E me deixassem em jardins mais doces e menos agressivos ... Mas não o são. Esse vento que me leva e os trás a mim, me sopra no seu dançar e me deixa solta, dispersa... Nem seus olhos procuram a imensidão dos meus mais! Nunca mais os vi... Dói-me tanto. É aquele estigma dos poetas, dos amores inatingíveis. É irrealizável! Parece que nossas palavras não são levadas em conta. Nada mais é repensado. Vivo ultimamente um deserto. Já o chamei, já pus em pratos limpos e tu nunca vens? É o que sempre expressei em meus poemas dos anos todos: “Não demore, oh Amor errante. Pois a pele perde o viço e a dor dilacera o coração”.
E assim fito a janela e rezando confusa uma oração do Amor, onde peço resgate, onde peço um abraço de aconchego e calma. Onde peço que uma brisa cintilante me beije docemente a face e leva-me aos vales de bênçãos.
Escrito por nanda às 10h17
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